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Monday, November 16, 2009

The great gig in the sky

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EU QUERO MINHA VIDA DE VOLTA.

E lá se vão MAIS ALGUNS dias em que o cara só pensa e respira em função de uma coisa: o maldito evento. Ou bendito. Ou evento maldito, o que na real soa mais cool.

Enfim: organizar essa porra dá trabalho. Confira as datas. Se não para se inscrever, ao menos para acender uma velinha para que tudo dê certo, nos respectivos horários.

Aqui e aqui.

Experimentei bater os sapatinhos e dizer "Não há lugar como o lar", para ver se eu era teletransportado automaticamente para alguma piscina de hotel 5 estrelas de Doha, onde tomaria um Daikiri - permitido só para turistas influentes - com o Autuori no fim de tarde enquanto era abanado por odaliscas e conversava amenidades.

Não rolou.

Saturday, November 07, 2009

The Children of the corn

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Village of the Damned: crianças malditas e milharais amaldiçoados - o Maine é aqui.


Se levar 7h e 25 minutos ao invés das 3 horas e 45 minutos horas tradicionais no trajeto Passo Fundo - Porto Alegre tem ALGUMA vantagem, é a de estar, por 3 horas e quarenta minutos A MAIS ao lado de dois grandes amigos.

O
acidente monumental na RS 153, sábado, de madrugada, tornou, digamos, confuso o fluxo rodoviário de grande parte do Estado, e obrigou os viajantes que transitam pela estrada (e adjacências) na manhã subseqüente, a atalhos e reviravoltas tortuosas no roteiro. Até Carazinho (little guy), rota inicial do "desvio curto" que o policial rodoviário nos aconselhou a tomar para sair da Capital do Planalto Médio, all by myself, estilo "palma da minha mão". O problema estava na completa ausência de know-how dos trechos entre Não-me-Toque e o interior de________ (menor idéia).

Baseando-se na EXTREMA FALTA DE NOÇÃO que os três viajantes em questão possuem dos MEANDROS da região norte do estado, a travessia, que já alcançava previsíveis níveis de cansaço, tornou-se uma epopéia com toques de DESESPERO.

Cerca de três desvios errados, um MILHARAL, umja estrada de PEDRA e um trevo mal sinalizado (além de duas cidades-fantasma) depois, chegamos a um local inusitado que misturava bucolismo com um ar SINISTRO à moda dos filmes de Stephen King, ambiente que fez ter uma incômoda impressão de que era uma mera questão de tempo antes de alguma seita anabatista local nos atacar com foices e nos sacrificar espalhando sangue e órgãos como OFERENDA e ADUBO para uma próspera colheita na temporada seguinte.


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Victor Graeff e sua famosa praçinha: Scissorhands ao som de Scissor Sisters, para amenizar o fato de estarmos completamente perdidos, com os compromissos pendentes na capital NAQUELA MESMA tarde fatalmente cancelados.

A INEXISTÊNCIA de pessoas nas ruas do município de Victor Graeff (se a placa estava realmente correta), aliada à surrealidade de uma praça central repleta de esculturas de grama ampliou a sensação de IMPOTÊNCIA espacial e ESTRANHAMENTO.

Passada mais de uma hora sem que ninguém em nenhum lugarejo próximo pudesse dar ALGUMA informação conclusiva sobre para que lado ficava QUALQUER COISA, o medo de ser capturado e utilizado em algum ritual pagão (como em
The Wicker Man) se tornava uma possibilidade incomodamente CRÍVEL.

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"O Homem de Palha": clássico trash supremo.

Achado, enfim, a muito custo, um trecho que nos conduzia de volta à 386 nas cercanias de Soledade, o jeito foi relaxar e gozar escutando PILARES SUPREMOS da cultura universal (como "Voyage, Voyage" - Desireless), e ESTANDARTES da marcha-ré no quiabo ("I don't feel like dancing'" - Scissor Sisters, a ode gay definitiva), até um previsível ENGARRAFAMENTO nos arredores de Canoas para enfim terminarmos a noite comendo bolinhos de gorngonzola entre chopes, na certeza de que a digestão histórica (numa perspectiva Franklin-Baumeriana) dos fatos revelará a importância iconográfica desse acontecimento insólito.


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Figura SEMPRE homenageada ao longo do trajeto: para a eternidade em nossos corações.

Thursday, November 05, 2009

a semana


Nos últimos tempos uma AVALANCHE de compromissos profissionais fez com que eu não atualizasse o blog, não comentasse em blogs, não respondesse e-mails, não telefonasse para muita gente e, PENSANDO BEM, mal e mal soubesse o que está OCORRENDO no mundo.

De nota triste, a notícia sobre a morte de Levi-Strauss: e Claude Levi-Strauss, como vocês sabem, é como o Niemeyer ou o Keith Richards - saber que ele estava vivo, apenas isso, era um alívio e uma esperança. Nada tenho a dizer que não foi dito com MAIS BRILHO pelos meus amigos ( aqui e aqui )
.


De nota MAIS TRISTE ainda é o time do Grêmio (estou sem saco, não comentarei).


Contudo, pelo menos uma constatação positiva:

MIKE PATTON é sem dúvida nenhuma o maior vocalista de rock VIVO. Tinha um pouco de MEDO em afirmar isso, mas o medo se dissipou nesta terça, última. Nunca uma "mandada às favas" no trabalho e uma ESCAPADINHA descontextualizada até Porto Alegre valeram tanto à pena.



Enfim, SEMANA que vem voltamos com a PROGRAMAÇÃO NORMAL.



Não mude de canal.

Wednesday, October 28, 2009

Fé? Não mais.

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Mike Patton pagando de gatinho - na falta de termo apropriado, no momento: gênio. Mas isso, para ele, é apelido



O Faith no More não é a melhor banda de todos os tempos (Beatles). Nem é a melhor e mais competente junção de uns camaradas no intuito de fazer rock (Led Zeppelin). Nem ao menos é a banda que eu acho mais tri (Ramones).

No entanto, quando eu tinha uns 12 anos, o Faith no More era a minha melhor-banda-de-rock-do-mundo de estimação. Cara, como aquilo era DIFERENTE. Era o tempo do videoclipe genial de "Falling to pieces" (ah, a MTV quando passava, ahn..., música - R.I.P.), de pirar com a mistura de hard-rock e hip-hop de "Epic" (esses caras INVENTARAM isso ou me enganei?) e de escutar sem parar as melhores faixas do disco "Angel Dust": "Midlife crisis" e a clássica "A small victory".

Hoje, bem como na época (embora um pouco menos), após anos de conversa com uma GALERA a respeito, tenho ciência PLENA de que o Faith no More era a melhor-banda-de-rock-do-mundo de estimação de MUITA GENTE. Escutando hoje, distanciado das doces memórias da pré-adolescência, posso tranqüilamente atestar que, aos meus ouvidos de 2009, o Faith no More ainda é muito, muito bom.

Taí uns caras que CAUSARAM, afu.

Nada mais precisa ser dito. Há um show imperdível em Porto Alegre, terça. PARECE que TENHO um compromisso há 384 km da Capital.

Parecia.

Tinha.

Estarei no Pepsi On Stage mesmo que o mundo ACABE.

Autuori (seria mesmo) charlatão? - ou: Manifesto CONTRA o GAUCHISMO de araque

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Paulo Autuori: o Regilnado Faria da casamata tricolor está prestes a ir à fogueira. Acusação: excesso de filosofia, uso (moderado) de carioquismo e anemia quanto a ideologia do Farol da Divindade.


Conheço, compreendo e comungo de muitos argumentos desgostosos para com o tricolor dos pampas, proferidos pelo companheiro Mayora.

LONGE DE MIM, sem dúvida, compactuar com um time passivo, sem ânimo, de ideologia "aristocrática" (temos atualmente uma das mais absurdas, bundonas e pífias diretorias que já estiveram no comando administrativo do clube - se é que não é simplesmente a pior - desconsiderada a INIMPUTABILIDADE dos - coitados - comandantes do biênio 2003/2004), onde mascarados pintam o sete apenas quando parecem ter vontade de chamar a atenção de feitores europeus da bola, e onde o treinador vive numa (estranha) relax (Guiné Bissau, Moçambique e Angola) mesmo com derrotas empilhadas e the house falling down.

PORÉM (entretanto/contudo/todavia) gostaria que a nação gremista como um todo (equipe-coordenação técnica-diretoria-torcedores), de uma vez por todas, SUPERASSE DE UMA VEZ POR TODAS o fantasma ao qual credito boa parte dos infortúnios gremistas dos últimos anos: o "GAUCHISMO".

Explico:

desde o período mais vitorioso e espetacular (em termos de futebol, puro e simples) da história do clube (1994-1997), uma parcela substanciosa (monumental, como o nome do estádio que está - CRIME - prestes a ser demolido) da torcida gremista - em um misto de saudosismo romântico e AUTISMO - parece ter criado uma espécie de aversão ao futebol bem jogado:

são bobos alegres que confundem garra/esforço com inaptidão completa para o balipodo; que confundem brutalidade irracionalizada com vigor; que confundem jogador empenhado com jogador que não possui nenhuma qualificação além da vontade (louvável, fato,de vencer).

ENFIM: uma torcida que cre (piamente, o que é pior) que um jogador como HERRERA é melhor do que ROGER FLORES, apenas pelo fato de que um é tosco, simplório e "suja o calção" e outro é carioca, pau no cu e consegue dar balãozinho.




FRANCAMENTE: em nenhum dos mundos (considerando a existência de universos de anti-matéria paralelos ao nosso) um HERRERA é MELHOR do que um Souza da vida. A pior, mais negligente, mais amorcegada, mais preguiçosa e mair irritante partida de Souza é INFINITAMENTE melhor do que QUALQUER COISA que Herrera já tenha feito na vida.




ACEITEM.

Vamos aos fatos: jogador "aguerrido e bravo" não é sinônimo de jogador TOSCO e se o sujeito é uma FERIDA AMBULANTE, não venham me dizer que ele VESTE A CAMISA, porque eu, e mais metade do Rio Grande do Sul, vestimos, todo domingo..

Mesmo quando as façanhas do Grêmio "serviram de modelo a toda terra" (1983, Tókyo, por exemplo), os ditos escretes "valentes" que ostentaram a camisa tricolor e attingiram os ápices da glória não dispensaram o bom futebol. DeLeón e Baidek sentavam o cacete com a mesma graça que venciam TODAS pelo alto e saiam de meia-lua no contra-ataque após o terror na área; Paulo César e China engrossavam com o adversário, e eram gueixas no trato com a redonda - sabiam o que deviam fazer; o cirúrgico Mário Sérgio (hoje treinador do Inter), o veloz Tarcísio e o "homem-gol" Renato eram o toque de qualidade do time, que ainda contava com Caju (cada década tem o Roger Flores que merece).

Em 1995, o Grêmio tinha um goleiro espetacular, zagueiros que combinavam força física e técnica de maneira que faziam jogos perfeitos sem - por vezes - nem precisar sair do estádio como se estivessem chafurdando na lama nas últimas horas, laterais que marcavam e apoiavam em igual perfeição (e desconheciam a palavra cansaço), um meio campo perfeito tanto na tarefa de cobrir a zaga quanto no momento de tirar jogadas da cartola em meio à fumaceira. E, por fim: um atacante e um centroavante que, unidos, garantiam uma média de dois gols por jogo.

LOGICAMENTE o Grêmio era "brigador" e "copeiro" e LOGICAMENTE o Grêmio dava pau (futebol não é putisse e jogo, de fato, É GUERRA, como diz o trapo famoso). Agora, achar que foi o "pau" puro e simples que levou o time a todas suas vitórias é fazer uma abordagem "autoral" e bravateira daquele período.

Digo tudo isso porque qualquer um sabe que é HISTORICAMENTE ERRÔNEA a idéia de que demitir um treinador em meio a uma competição (mormente quando ele foi contratado em meio à essa competição), em virtude de algumas derrotas e desacertos.

O Grêmio e sua torcida verão Autuori trabalhando, de fato, ano que vem, e se o tempo poderá dizer se Autuori é realmente charlatão, peço aqui, publicamente, que deixem o tempo MOLHAR O BICO.

Muito da revolta que grande parte dos torcedores está sentindo contra o treinador gremista e sua filosofia maracujina eu também sinto (o dado trazido pelo Mayora, quanto a ausência de coletivos nos treinos, é alarmante, no mínimo).

Porém, há que se separar o joio do trigo: o bom conhecedor de futebol pode aqui cair numa armadilha e assim apenas engrossar o coro dos MEDÍOCRES que acham que o time vai chegar a algum lugar sendo treinado por "gaúchos" como Nestor Simionato e bombeiros natos como Claudião Duarte, contando com "craques" do quilate de Perea.

Sinceramente, NÃO VEJO MAIS GRAÇA naquela BANDEIRA DO RIO GRANDE DO SUL empunhada pelos torcedores enquanto ela representar uma ode a um certo tipo de "raça" que na verdade é puro e simples bairrismo somado a recalque e complacência com a ruindade.

Não quero ver um filme de comédia quando vou a um estádio. Quero ver futebol bom, e não ruim. E um dos melhores treinadores do Brasil (reconhecidamente) tem que ter algo para mostrar e algum crédito para tentar ajeitar a casa. Em breve, e aí sim, as desculpas acabarão. E então o solene bilhete azul (sem ironias) pode ser uma pedida adequada.

O fato é que cada vez que uma certa parcela da torcida invoca os dogmas de "raça argentina", Juan Sebástian Verón sente, em La Plata, uma PONTADA no APÊNDICE e depois emenda uma risada sarcástica.

Sunday, October 25, 2009

A "idade da Razão" acordou cedo e foi carpir

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Black Crowes com pinta de bolivianos da Rua da Praia, lançando disco no programa de David Letterman: Chris Robinson, disposto a não voltar mais para a terra do nunca do stoner rock, envelheceu, definitivamente. Isso não é ruim, mas está longe de ser muito bom. Veja o vídeo da mini-apresentação da nova "Good Morning, Captain", clicando aqui.

Quando sai disco novo dos Black Crowes, a situação na REDAÇÃO deste blog equivale àquelas gagues televisivas estereotipadas em que alguém invade a sala da direção de um pasquim qualquer e ordena que PAREM as ROTATIVAS.

Aqui estou após uma semana de audições-teste de "Before the Frost...".

Para uma banda que havia se "separado" e não tocava unida há 7 anos, lançar um disco inédito em 2008, um registro ao vivo dessa mesma (bem sucedida) turnê no final do ano e outro disco inédito em 2009, parece um recorde. Ainda mais se você não sabe que os três pontinhos depois do título do disco não são descompromissados: logo logo, para os consumidores que comprarem o trabalho pela web, vai estar disponibilizado via senha para download exclusivo "...until the freeze", a OUTRA METADE deste, ahn, álbum duplo (desta vez com covers engrossando o caldo de algumas outras inéditas).

Diante disso, vamos ao breve review:

Se em "Warpaint" (leia minha resenha, do ano passado) os Crowes pareciam ter deixado para trás o passado de barracos internos que sempre fez uma certa inconstância pairar sobre os rumos artísticos do grupo, "Before the Frost..." exagera na dose "varanda".

O clima de paz do álbum anterior (ironicamente intitulado de "pintura de guerra") era galvanizado com grandes baladas romântico-tristonhas e rocks enérgicos na melhor tradição da banda, soando, no entanto, como os quarentões que já são (o tempo passa). Não mais furia incontida, mas energia com ares de estar sendo sabiamente canalizada. Foi a sessão de sexo tântrico da musicalidade do conjunto.

Já nesse novo trabalho, os irmãos Robinson (Chris o vocalista e "líder" e Rich, o guitarrista e sub-gerente) parecem ter extrapolado o fio do padrão "sou-semi-coroa-e-conheço-os-atalhos-da-vida" e o resultado é maduro demais: há momentos em que parece clara a (péssima) idéia de se fazer soar como grupos inócuos admirados por standards redneck (tais como motoqueiros em fim de carreira e garçonetes trajando camisa xadrez sem mangas e chapéu de cowboy), na linha de Kansas e - deus me livre e guarde - Eagles.

E para alguém que despontou nas paradas americanas nos early 90's, desbancando o grunge que reinava na época como sendo uma cria de um menàge entre Rolling Stones, Led Zeppelin e Lynrd Sknrd, isso é, tipo, ESTRANHO.

Não que seja algo assombrosamente ruim: titios Mick Jaegger e Keith Richards ficariam orgulhosos de coisas como "A trains still makes a lonely sound" (emulação stoniana de primeira qualidade) e a popíssima (enigmática, em se tratando do Black Crowes) "I ain't hiding". A abertura com "Good morning Captain" mantém a banda fincada em suas origens sulistas (outra referência clara na musicalidade dos Corvos) do jeito que os fãs esperam e até aí a coisa vai bem.

O problema está no, digamos, "espírito" do disco: coisas como "Houston don't dream about me" passariam, em tese, no padrão Robinson de temas melosos que volta e meia surgem nos discos. Porém sua levada é tão óbvia e seu refrão é tão fácil e bobo que parece aqueles sucessos de que eriçar os cabelos do braço de vovôs que frequentam bares on-the-road e já deram o que tinham que dar. Dá até pra imaginar os Black Crowes em sua décima nona formação - sem ninguém da original - daqui uns 20 anos cantando essa para a alegria da velharada, como aquelas "bandas" estilo we stand still, tipo esse Creedance e esse The Doors que vagam ainda pela terra sabe-se lá fazendo o que.

"Appaloosa" é outra canção em fogo brando que irrita pela ausência de pegada (dá vontade de mandar um e-mail perguntando se eles estão de sacanagem). E se os rapazes de Atlanta já se aparentaram com alguns temas incendiários do zepelin de chumbo pelo poder de desvario, a fraca "Kept my soul" lembra Robert Plant e companhia nos momentos MENOS iluminados (caberia bem no "Presence"de 1977, essa).

Se o posto de grande baladão flash the lights da banda já foi ocupado por clássicos como "She talks to angels" (do primeiro disco) e "Cursed diamond" (do Amorica), em pauta está a bela e melancólica ode country aos corações partidos, "Last place that love lives". É o tipo de faixa que faz qualquer um crer que Chris Robinson realmente MERECE tudo oque a vida já lhe deu de bom. Arrepiante, a canção é uma prova de que sobra talento e sangue nas veias desse bando de cabeludos, para que exijamos deles algo a altura do que eles mesmos conseguem fazer.

Nada de errado, em tese, com um disco nessa batida. O problema é que tanto espiritualismo meio que torna a audição pesada. Tanta maturidade tira um pouco a graça da coisa. E tanto bucolismo faz a gente ter saudade de um engarrafamentozinho enquanto bebe um Milkshake do Bob's.

Thursday, October 22, 2009

Agora agüenta, coração

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Turma de alunos em visita ao Tribunal de Justiça: um dia mágico em que o tempo - relativamente - andou para trás. Ao centro, o Des. Aramis Nassif empunhando o meu livro: orgulho.


Pelos idos de 1990, o televisionamento aberto (não me perguntem porquê nem como isso ocorreu) pela Rede Guaíba do julgamento do Pleno do Tribunal de Justiça para aquele que ficou conhecido nos anais jurídicos e jornalísticos como o "Caso Daudt" tinha dois espectadores ávidos: EU (com 11 anos) e o MEU PAI.



Mais do que a influência jurídica familiar no futuro da minha profissão, surgia naquelas imagens o motivo que deu o pontapé inicial na minha vontade de me tornar, mais do que advogado, um criminalista: o verdadeiro show promovido pela defesa exercida por Oswaldo de Lia Píres, sem dúvida o maior advogado de tribuna que as bancadas do Rio Grande já viram.



CORTA para 1997:



em uma palestra que eu resolvi assistir por não ter absolutamente nada o que fazer em uma tarde vaga daqueles distantes anos do início do curso de Direito na PUCRS, acordei para mais um aspecto da minha vida de querer vir a tornar-me o que sou: na mesa, um desembargador desbocado e cabeludo (Amilton Bueno de Carvalho), um desembargador irreverente (Aramis Nassif) e um Procurador de Justiça muito louco (Lênio Streck) falavam de Direito e Processo Penal como eu nunca imaginaria que fosse possível fazer (e pensar). Mais um capítulo das minhas intenções estava ali traçado: queria ser como aqueles sujeitos e trabalhar o direito não de forma enfadonha e mecânica, mas dinâmica, reflexida, rebelde, humana. Ali, mais do que em qualquer momento, decidi ser professor. Decidi que ia tentar propagar minhas idéias.



Anteontem, em um dia surreal como se o mundo táctil estivesse febril ao som de "Velvet Morning", do Verve, com cores oníricas não muito bem definíveis, levamos uma turma de alunos para um "passeio jurídico"em Porto Alegre.



Visitamos uma Sessão de Julgamento da 5ª Câmara Criminal, onde com a simpatia e o respeito de sempre, os profissionais (advogados e defensores) e a assistência (alunos, interessados e curiosos em geral) são recebidos para ver não uma mera formalidade burocrática, mas sim um espaço de reflexão do Direito traduzido em uma verdadeira aula. Ali estavam alguns dos responsáveis por tudo que li, estudei, pesquisei, fiz e, em grande parte, passo para meus alunos diuturnamente, e, dessa forma, responsáveis também por eu estar ali, levando esses mesmos alunos nesse mesmo local: o tempo e as circunstâncias deliciosamente correm atrás da própria cauda.



Dei cópias do meu livro para o Amilton, para o Aramis (que falou sobre ele "em cena aberta" entre um julgamento e outro, quase me causando um enfarto em meio à função toda) e para o Lênio, e pouco tempo depois do fim dos julgamentos ficamos em uma rodinha conversando, imagem que não consegue se firmar na minha cabeça porque eu ainda não a realizei muito bem.



Posteriormente, nos dirigimos com a caravana para a PUCRS e durante algumas horas de recreação, fui com um punhado de alunos ao Bar do Maza, onde "cumpri vários créditos" de algumas cadeiras durante o curso e lá, com eles, baixei umas geladas rememorando o que várias vezes fiz com amigos quando tinha a idade deles.



À noite, nos encaminhamos ao auditório do prédio 41 para o gran finale: aos 91 anos de idade, homegaeado-mór do evento, o Dr. Oswaldo de Lia Píres PALESTROU (assim, em maiúsculas).



Trêmulo e um tanto quanto atrapalhado com a dicção (como se espera de um sujeito que ainda esteja vivo aos 91 anos de idade), o Lia deixou claro em alguns momentos o porque de ele ter a alcunha irrevogável de maior advogado gaúcho da história. Só não deixou claro se ele até hoje não parou porque tem muita energia no peito, ou se tem muita energia no peito porque jamais admitiu parar.



Diante do quadro absolutamente inacreditável desse dia, só me restou o isolamento por alguns momentos em um canto do auditório para acompanhar a comovente exibição de um vídeo com colagem de fotografias sobre os 65 anos ininterruptos de advocacia do mestre, onde beirei deixar cair uma lágrima e outra.

Dizem que a flecha dos dias corre apenas em um sentido. Endosso, porém com a ressalva de que ela corre em espiral: por vezes, passa pertinho de lugares já conhecidos.

Monday, October 19, 2009

"Bastardos inglórios"

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Eli Roth e Brad Pitt, inglórios e hilários: desempenho artístico de luxo, contra as provocações de sempre ao escracho "incômodo" promovido por Tarantino.


ONTEM, depois de assistir a "Inglorious Basterds", veio aquela boa e velha sensação pós-Tarantino, misto PESADO de excitação com tristeza - e é sempre assim quando alguém trata de colocar em prática (de alguma forma) tudo o que VOCÊ GOSTARIA de fazer.

O mundo definitivamente não precisa de um Gabriel cineasta, porque tudo - TUDO - o que um Gabriel cineasta adoraria realizar e conseguiria minimamente bolar, Tarantino já faz, inclusive com sacadas-referência MUITO melhores.

Logicamente não faltará (mais uma vez) quem diga que na tela falta "cinema" e sobram amontoados videoclípicos de clichês à exaustão.

Contra esses, chega a ser covarde, de tão fácil, exibir o modo EXTREMO com que o diretor, em todos os seus filmes, tem o elenco na mão (aliás, em seus filmes o elenco parece trabalhar mais pelo prazer em participar daquelas histórias bizarras do que pelo cachê ou tapetes vermelhos - e só isso já credencia QUALQUER obra cinematográfica). Os atores (figurinhas de PESO, diga-se, quando não talentos que apenas na mão de Tarantino renderiam aquilo que rendem - ver, nesse caso, Diane Kruger) parecem ter TREINADO a vida toda para os respectivos papéis e é difícil escolher QUEM está mais afiado (o vilão vivido por Cristoph Waltz, por exemplo, bate no TETO e oferece ao público o limite máximo da imagem do oficial nazista-cretino).

Há, sem dúvida, alguns exageros kitsch/setentistas (a referência tarantínica por excelência), visualmente falando, e certamente, algumas coisinhas fora da lugar.

Mas, como sempre, é diversão de primeira linha, ainda que não seja a melhor obra do diretor (insisto com o volume 1 - e não o 2, como a maioria apregoa - de Kill Bill, empatado com Cães de Aluguel).

E lá vai o Quentin, na hipotética e figurativa montanha das minhas preferências cinematográficas, subindo ao topo, como sempre à jato, de elevador, nem bola para os alpinistas da encosta. Obviamente que quando ele chegar ao mirante vai ter que se entender com uns três ou quatro mais taludos, mas isso é outra história.